“TERREMOTE-SE”
Inicio este texto ainda sob o impacto da notícia de um terremoto de 7,8 graus na escala Richter ocorrido na China e cujas perdas humanas, após 24 horas, já chegam a doze mil. Um efeito devastador, sem dúvida. Terremotos, sismos ou abalos sísmicos, são um tipo de vibração brusca e passageira que ocorrem na superfície terrestre resultantes da movimentação de placas tectônicas ou deslocamentos de gases no interior do planeta. A energia resultante se propaga através de ondas em todas as direções e faz com que a superfície vibre de forma intensa. O alcance e o impacto assim gerados dependem da quantidade de energia liberada; quanto mais energia liberada, maior o efeito destrutivo. De forma análoga, o mesmo acontece conosco todos os dias. Os “terremotos” a que somos submetidos podem ser vistos de duas maneiras. Alguns podem gerar efeitos destrutivos, à semelhança dos fenômenos geológicos, como medo, insegurança, ansiedade, enquanto outros podem gerar efeitos inversos, como alegria, felicidade, otimismo. Morte súbita de um ente querido, demissão do emprego, acidentes, seqüestros, são exemplos de “terremotos” cujas “ondas sísmicas” produzem efeitos ruins. Por outro lado, uma promoção, o nascimento de um filho, a conclusão de um curso, são “terremotos” cujas “ondas” geram efeitos positivos. Em ambos os casos, estas “ondas” nos atingem de fora para dentro, ou seja, são eventos que geram reações boas ou ruins. Em suma, para qualquer destes “terremotos”, estamos sendo reativos. Mas o que dizer quando NÓS somos o foco e o epicentro de “terremotos”? Qual o efeito quando as “ondas sísmicas” liberadas atingem o ambiente e as pessoas que estão a nossa volta?
Um novo ambiente de trabalho
Com o progresso da globalização, empresas e pessoas tem vivido e convivido em um ambiente de mudanças constantes e cuja magnitude, transformações e reformulações tem causado verdadeiros “terremotos” diários, com efeitos bons e ruins. Esta nova realidade tem levado pessoas e empresas a uma necessidade diária de buscar novas soluções para absorver as “ondas sísmicas” causadas por “terremotos” como: novas tecnologias, oscilações econômicas, downsizing, terceirizações, etc. Inúmeras pessoas, e outras tantas empresas, sucumbiram aos efeitos maléficos destes “terremotos” por não se prepararem de forma adequada para estes novos tempos. E tudo indica que o futuro será cada vez mais dinâmico e imprevisível. Frente a esta nova realidade, vemos apenas duas opções: sucumbir à uma destruição iminente ou tornarmo-nos fortes para este enfrentamento.
Um novo profissional
Em um ambiente de mudanças e “terremotos” constantes, o profissional deverá estar preparado. E para isto, terá que mudar. “Na natureza nada se cria, tudo se transforma” (Lavoisier) e “a única coisa imutável é a mudança” (Heráclito) são duas observações que devem ser princípios que gerem mudanças de pensamentos e comportamentos deste novo profissional. Concordo que mudanças são algo difícil pois geram resistência e resistência leva as pessoas a permanecer na suas zonas de conforto. Para que as mudanças que o mundo atual exige, é necessário sair da zona de conforto. Como? Criando um “terremoto” interior e transformando a zona de conforto em zona de desconforto. Isto implica em nunca estar satisfeito e buscar sempre novos aprimoramentos em todas as esferas da vida: financeira, profissional, saúde, lazer, relacionamentos, etc. Implica aumentar seu auto-conhecimento a fim de melhorar suas habilidades e competências e minimizar seus defeitos e pontos fracos. Quando um terremoto destrói uma superfície, sua reconstrução a deixará com um aspecto diferente e renovado. Isto também se aplica quando provocamos nossos próprios “terremotos”. Buscar sempre uma renovação é condição “sine qua non” para os dias agitados e turbulentos de um mercado cada vez mais agitado e turbulento. Tornar-se um talento, usar e abusar da criatividade e da inovação, desenvolver um alto grau de resiliência e aumentar continuamente sua produtividade, são medidas indispensáveis para sobreviver neste ambiente de “terremotos” e incertezas constantes. E como uma das leis da física afirma que “a toda ação corresponde uma reação igual e contrária”, todo “terremoto” do mercado deverá gerar em cada um de nós uma “terremoto” interno que neutralize todos os seus efeitos destrutivos e negativos. Ser apaixonado pelo que se faz, buscar novas maneiras de fazê-lo sempre melhor e gerar resultados consistentes são as características do profissional deste novo tempo, como afirma Robert Wong. Afirmei, parágrafos atrás, que as “ondas sísmicas” podem nos atingir de forma positiva ou negativa, dependendo do nosso preparo. Se o efeito for negativo, poderá ser um aviso de que algo precisará ser feito. Se o efeito for positivo, tire proveito para fazer a diferença. Mas, se os seus “terremotos” internos produzirem “ondas sísmicas” que tenham impacto direto em outras pessoas, produtos ou serviços, parabéns. Você não irá apenas fazer a diferença. Você SERÁ a diferença. Portanto, “TERREMOTE-SE’! O mercado assim o exige.
|