Quero:
Adicionar um artigo
Ver meus artigos
Ver meu perfil
Mudar meu perfil
Quick search
Eventos RSS feed
Não há anúncios de eventos neste momento
Novos usuários with photo RSS feed
Mara Edith Pó Mac Kay Dubugras Machado
Mara Edith Pó Mac Kay Dubugras Machado 
Unib - Universidade Ibirapuera 
Educadora, comunicóloga 
Angela Lima
Angela Lima 
Vale Empregos 
 
Roberta Medeiros
Roberta Medeiros 
UNICLI 
 
Publicação
Blog estático /artigo
Categories » Motivação » Motivação Pessoal e Profissional » PODER PESSOAL
O GURU: UMA HISTÓRIA
quinta-feira, 28 de agosto de 2008 - Meses antes tudo estava decidido. O guru viria em nossa cidade para nos falar de negócios, ou melhor, nos abrir os olhos para as últimas ideias que ele havia desenvolvido como administrar com sucesso. Seu nome tem anos de sucesso e tudo quanto é jornalista de negócios andava eletrizado com a ideia de, finalmente, ouvirem, de viva voz, o guru!

 A chegada

As empresas se apressaram a inscrever seus melhores executivos. Todas elas não quiseram ficar para trás. Cada qual apostava em levar o maior número possível de quadros superiores. A palavra do guru estava a ser tão esperada quanto a de Cristo em sua digressão pela Galileia.

Os executivos que haviam merecido ser inscritos no seminário não deixavam de sentir-se ansiosos e exultantes. Não era qualquer um que ia ouvir as sábias palavras do mestre. Ele era um académico premiado, escrevera mais de 15 livros sobre liderança, inventara novos conceitos, ideias-força, modelos de pensamento, eu sei lá que mais. O guru era mesmo um guru, isto é, funcionava como um guru.

Falava do alto de sua sabedoria e alguma arrogância. Esse pequeno pecado assentava-lhe bem. Não era um sujeitinho qualquer. Era um pensador. Um filósofo da administração. Lá longe, do gabinete da sua universidade, ele observava o mundo dos negócios e refletia. E dessa reflexão nasciam páginas e páginas de sabedoria. Suas teorias agitavam as mentes. Ele era o máximo.

O evento

Chegou o dia aprazado para o seminário. Seria um acontecimento inolvidável. Cada um dos presentes - uns privilegiados - poderia, finalmente, registar em seu Curriculum Vitae a sua participação atenta em tal evento.

E o espetáculo começou. Uma apresentação rápida feita pelos promotores preparou o ambiente. O tic-tac do coração dos presentes acelerou. O guru ia entrar em cena!

E eis o nosso homem. As luzes incidiam sobre seu rosto. Ele brilhava como um ator em plena exibição. A lição começou. Mudos, silenciosos, os executivos ficaram a ouvir. As palavras do guru pareciam música para os seus ouvidos, àvidos de novos saberes.

O homem falou, falou, falou. Exibiu imagens, estatísticas e muitos outros documentos para ilustrar a sua intervenção. Do silêncio inicial passou-se para um leve sussurro. Todos se apressavam a escrever e a fazer anotações. Era preciso apanhar tudo o que as suas sábias palavras queriam dizer.

Ao fim do dia o guru acabou sua apresentação. Respondeu a algumas questões mas não se alongou. O trabalho principal estava feito. Cumprira seu dever. Esperava-o apenas um chorudo cheque em dólares.

Os participantes partiram, em pequenos grupos, conversando entusiasticamente sobre algumas das matérias que o guru havia abordado. Depois cada um seguiu seu destino, talvez para casa. 

A aprendizagem

No dia seguinte, numa das empresas que apostara no evento, os executivos foram chegando de regresso aos seus gabinetes. O tema das primeiras conversas com os colegas era, naturalmente, o guru e a sua sabedoria.

Os que não tinham ido ao seminário queriam saber novidades. Então, que disse ele? Que aprenderem vocês de novo? Valeu a pena? Eram as perguntas mais imediatas.

Os mais rendidos às palavras do guru foram os primeiros a disparar respostas. Ainda recordavam algumas ideias-força. Seu ego estava ainda empolgado. Agora era a vez deles brilharem ante seus colegas.

Falaram, falaram, falaram. Tanta ciência debitada no bar da empresa, nos corredores e nos gabinetes. O guru deixara sementes em cada um deles.

Numa delas, um sujeitinho que não valia nada (nem tão pouco tivera direito a ir ao inesquecível seminário), depois de ouvir, tranquilamente, um colega a expor suas novas aprendizagens por longos minutos dispara:
- Foi isso o que você aprendeu? Tudo isso? Me deixe então dizer uma coisa.

E eis que o sujeito, que até aí se mantivera discreto, um quadro médio da empresa, começou a falar e a discorrer sobre tudo o que aprendera lendo nos livros do guru que ele comprava sistematicamente. De repente, a assistência concentrou sua atenção no homenzinho. Impressionante! O que ele sabia!

Seu colega, que estivera no seminário, se calou. Não tinha aprendido nem metade do que o sujeitinho sabia. Mais: ele brilhava com sua capacidade de discursar. Durante uns 20 minutos empolgou a assistência. Ele era muito melhor do que o guru pois tinha feito uma leitura crítica da obra e acrescentou sua versão dos conhecimentos. E que bem ele sabia expor!

O aprendiz

Dois dias depois, o presidente da empresa mandou-o chamar. Pediu que se sentasse. Não se conheciam, obviamente.
- Como se chama você? Me disseram que o senhor é um grande conhecedor da obra do guru que esteve em nossa cidade. Como fez isso? - indagou, curioso, o chefão.
- Me chamo Francisco. Eu aprendi lendo os livros do guru mas também lendo criticamente. Bebi algumas das ideias dele mas criei minhas próprias teorias. Não creio que o guru seja assim tão fenomenal. Muitas das suas ideias são vulgaridades ditas de outra forma - garantiu nosso homem.

O presidente se levantou. Por uns momentos manteve-se calado. Depois atirou:
- Senhor Francisco. Peço-lhe que me apresente um programa para um seminário que será o senhor a dirigir, expondo suas próprias ideias mas adaptadas à realidade da nossa empresa e nossas necessidades.

Francisco ficou silencioso. Um nervoso miudinho atravessou-lhe o corpo. De repente, sentiu-se na pele de um guru. Ele, que aprendera lendo avidamente as obras dos gurus, estava agora a ser convidado para dirigir um seminário.

Quase a sair do gabinete do presidente, este o chamou de novo.
- Senhor Francisco: me diga, quanto gasta o senhor em livros de gestão e liderança por ano?
- É fácil. Todos os meus amigos sabem que eu gosto de ler e as minhas preferências. Então, no meu aniversário, costumo receber livros sobre essas matérias e dos autores que eu sei serem os melhores. E do meu salário eu retiro uma percentagem para também comprar livros. Adoro aprender coisas novas - explicou o Francisco.

Dois anos depois, Francisco era já uma autoridade na matéria. Já escrevera dois livros bem sucedidos, abandonara a empresa onde trabalhava e era agora um palestrante muito requisitado. Aos poucos foi se tornando num guru. Vendia livros e depois falava sobre eles. Passou a ganhar 20 vezes mais. Sua cotação subira em flecha no mercado.

Sentado em seu gabinete, o presidente fez as contas. Mandara 5 executivos ao seminário do guru havia 2 anos. Gastara uns milhares de dólares. Nada trouxeram de novo ou não souberam aplicar. Sua empresa não beneficiara absolutamente nada desse investimento. E perdera um excelente empregado que agora ascendia, gradualmente, à condição de um novo guru.

Lição

Esta história, com base em fatos reais que presenciei, dá que pensar. Convido-o a retirar você mesmo a lição do que se passou.

Nelson Lima


Nelson Lima
Instituto da Inteligência (Portugal e Inglaterra)
Outras publicações do autor
Nenhuma publicação disponível
Lido por último por
edvaldo albino dos passos
Palavras chaves (Keywords)
Coach/Mentor  Ajuda pessoas  Empreendedor  Empreendedorismo  Gestão de Carreira  Coaching  Liderança  Administração  Motivação  Comunicação  Marketing Pessoal  Humor  Ambição